Galafura

Este blog não consiste só em falar da Freguesia de Galafura, mas não podia deixar de referênciar a freguesia que amo muito e de onde sou natural. O nome do blog " Galafura" é por isso mesmo, pela naturalidade, pelos amigos, pelos sentimentos que me vão na alma, editarei aqui os meus pensamentos e sentimentos que nutro pela minha terra, pela minha família, pelos meus amigos, e pelo meu estado de espírito do meu dia-a-dia

segunda-feira, setembro 04, 2006

Falar de Galafura

Falar de Galafura?! Para quem não conhece, falar de Galafura não é fácil. È preciso conhecer bem o seu povo, a sua cultura, a sua forma de ser, a sua forma de viver, a sua forma de estar, é preciso penetrar nas suas entranhas, tem que se procurar razões para o fazer, há a necessidade de vasculhar a sua origem, entrar em contacto com tudo e com todos que a Ela estão ligados, com aqueles que nela vivem, com aqueles que por Ela lutam, com aqueles que por estarem longe, por Ela choram, entrar em contacto com aqueles que vivem e fazem a Sua história. È preciso aprender a sua história, história que se foi transformando ao longo de décadas, e contam-se histórias, lendas de séculos que ainda hoje se mantêm vivas entre estas gentes, são histórias magnificas, histórias que nos transportam para tempos longínquos, que nos fazem entrar em dimensões onde não pertencemos, e que nos fazem sentir intrusos e que nos trazem tanta inveja. A melancolia, a saudade, a vontade de voltar atrás no tempo, manifesta-se no rosto de quem as conta, ora contadas com muito entusiasmo ora contadas com alguma tristeza, sempre com a lágrima no canto do olho, são histórias vividas por gentes com força, destreza, coragem e com sonhos. Falo nomeadamente do povo de Galafura, das suas gentes. Quem melhor que o seu povo poderá pronunciar o nome "Galafura"? Quem é capaz de o fazer com tanto orgulho, com tanto amor, e por vezes com tanta raiva, com tanta mágoa, ódio porque a terra nem sempre é generosa com as suas gentes, por vezes graças ás entidades competentes. Quem é capaz de o fazer...? Ninguém o é capaz a não ser o seu povo. E eu como Galafurense sinto-me capaz de dizer a boca cheia que sou de Galafura, sou capaz de pronunciar o seu nome e falar Dela com orgulho. Ao falar desta terra magnífica, não podia deixar passar em branco o nome de um grande senhor da literatura portuguesa, o homem que amava estas paragens como eu amo, o homem que elevou o nome de Galafura por este Portugal fora. Falo com todo o respeito de Miguel Torga, que aqui vinha muitas vezes, principalmente ao monte de S. Leonardo, e que disse o que ali se via era, "Um excesso de natureza, uma quilha de barco rodeada de água por todos os lados". E porque não falar deste espantoso e mágico miradouro, que é o monte de S. Leonardo?! O monte de S. Leonardo fica aproximadamente a 3 km da povoação, a uma altitude de 638 metros sobranceiro ao Rio Douro. Lá ergue-se uma pequena capela em honra a S. Leonardo, nas costas da capelinha ao topo ergue-se uma imagem de S. Leonardo em homenagem ao Mestre Torga, o homem que chamou a S. Leonardo de "Capitão do navio de penedos ancorado em pleno coração do Douro". E quando ali se chega descodifica-se logo o porquê do o Senhor Torga lhe chamar "Um Excesso de Natureza". "O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que o deixa de ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta. Miguel Torga, diário XII " S. Leonardo, é um dos mais belos miradouros do concelho do Peso da Régua, de onde se desfruta de uma paisagem quase irreal, de horizontes vastíssimos, o Douro e o Marão ao alcance de um olhar. S. Leonardo é assim um lugar mágico e encantado, prova disso são as suas paisagens deslumbrantes sobre o rio e a região vinhateira do Douro e as suas lendas que sustenta debaixo de seus pés, lendas que se contam sobre este lugar, sobretudo a lenda de Dona Mirra. Dona Mirra, segundo reza a Lenda, é uma princesa moura, encantada por seu pai, habita um magnífico palácio situada no monte de S. Leonardo, Dona Mirra passeia-se de dia pelo Monte em forma de serpente, de noite recolhe-se em seu palácio que guardado por dois dragões gigantes impede a entrada de intrusos. A entrada para o encantado palácio é uma pequena mina denominada como Mina da Dona Mirra situada metros abaixo da capelinha. Dona Mirra espera um dia ser desencantada por um jovem valente, que no 1º gélido de Janeiro compareça no Monte e derrote os poderosos dragões, se assim acontecer Dona Mirra será desencantada e o jovem tornar-se-á em senhor da moura encantada. Mas Galafura tem muitos mais locais de interesse repletos de história. È de referir que Galafura é antiquíssima, acredita-se que tenha sido fundada pelos mouros quando andavam por estas paragens, existem vestígios da sua passagem, sendo o mais referido o Cemitério Mouro, situado na vertente oeste do monte de S. Leonardo no local ainda hoje chamado de Fonte dos Mouros, aqui encontram-se várias sepulturas cavadas na rocha, este local encontra-se um pouco afastado da localização actual da povoação, mas conta-se que Galafura tenha sido fundada neste local, mas devido a uma grande invasão de formigas viu-se obrigada a mudar-se para o local que hoje ocupa. Não foram só os mouros a andarem por estas bandas, os romanos também por cá andaram a vaguear à procura de conquistas para um maior crescimento do Império Romano, e também eles deixaram ficar os seus vestígios como é o caso de um caminho romano que ligava Galafura a Covelinhas mas acredita-se que esse caminho tinha uma maior extensão desde o Lugar das Lamas, seguindo o caminho dos Salgarinhos passando pela freguesia até Covelinhas o seu objectivo era o acesso ao Rio Douro. Fala-se também de algum poços romanos existentes no Monte de S. Leonardo, o seu objectivo seria a extracção de minério. No que diz respeito a monumentos e à arte arquitectónica, Galafura tem para mostrar a quem a visita: a sua Igreja Matriz do séc. XVI, o seu campanário separado do corpo da igreja, estilo que é raro em Portugal e em frente a igreja um magnifico cruzeiro de granito trabalhado dá as boas vindas aos visitantes, todo este conjunto arquitectónico encontra-se no largo principal da Freguesia o Largo do Eirô, existem ainda, vários marcos pombalinos dispersos pelo perímetro da freguesia, relembrando que Galafura está situada em pleno Douro Vinhateiro, pertencendo à mais antiga região demarcada do mundo a "Região Demarcada Do Douro", fazendo parte também da “Rota do Vinho do Porto”. È aqui, perante uma natureza soberba e irreal, perante uma horizontes longínquos, é aqui onde o passado se manifesta no presente e o presente tende em tornar-se futurista, aqui onde os sentidos se misturam com sentimentos, onde o vinho e a vinha são senhores, onde o rio e a montanha despertam todas as atenções, onde a natureza está em constante mutação, onde o tempo corre devagar e depressa, onde gentes simples lutam para sobreviver, cuidando das sua vinhas como quem cuida de um filho, pois nelas estão o seu sustento, as suas vidas, é aqui onde nos sentimos livres de tudo, de todos, é aqui onde reina a paz e harmonia, onde os Invernos são rigorosos mas mágicos, onde os verões são belos, cheios de alegria e de vida. E é aqui em pleno mês de Agosto que Galafura ganha mais emoção, mais vida. Galafura desperta.... São saudades que se matam, filhos da terra que regressam ás suas origens, ás suas gentes, à sua família, são festas e grandes noitadas de euforia, de convívio que se vivem junto daqueles que regressam, junto daquele que se mantêm presentes, daqueles que amamos e nos fazem viver. Galafura é ponto de encontro de grandes e velhos amigos.

8 Comments:

  • At 12:18 da manhã, Anonymous Fátima said…

    Eu também sou Galafurense e também digo à boca cheia que sou de Galafura e que sinto muito orgulho nisso....
    Bem agora só me resta dizer k belas palavras k tanto vislumbra a nossa terra e nao podia deixar de agradecer a pexoa k por momentos nos faz sonhar e nunca esquecer que deste pequenino mundo mas que eu mesmo tempo significa tanto para mim....

     
  • At 5:18 da tarde, Anonymous Montecristo said…

    Boas, ó Zé eu não conheço a Galafura City, mas por aquilo que dizem é muito bonita a terra, a região, mas era mais bonito se mostrasses os olhos da tua prima.

     
  • At 10:31 da tarde, Blogger nahar said…

    ja tinha lido o texto amigo e adorei e agora ve-lo aqui publicado mostra o grande amor que tens pela tua terra. Acho muito bem, pois temos que ser fiéis às nosas raízes, à terra que nos viu nascer e crescer e que sabe em cada canto alguns dos nossos segredos, risos e lágrimas....

    forte abraço amigo

     
  • At 11:29 da tarde, Anonymous a prima (Ana) said…

    eu nao sou galafurense mas teria muito orgulho em se-lo...é uma terra magica onde as amizades crescem e evoluem tal como uma arvore daquelas mesmo muito antigas...tudo no ar é diferente, na água...é um local onde se respira algo q vulgarmente nao estamos habituados! é o ponto de encontro de pessoas q, pelo amor verdadeiro q as une, deixa um encanto muito particular no ar...:)

     
  • At 6:23 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Tambem sou de GALAFURA com muito orgulho...

     
  • At 9:18 da tarde, Blogger caminante said…

    Querido amigo, sé que visitas mi Blog. Lo que agradezco. ¿Qué pasa con el tuyo?
    Puedes creerme que rezo con mucha frecuencia por tí, aunque te visite poco.
    Si quieres, me escribes a mi correo personal.
    Un fortísimo abrazo.

     
  • At 3:27 da tarde, Blogger zezezinho said…

    tenho pena que em anónimo façam comentários baixos, mesquinhos e sem sumo nenhum. Um blog ou uma página de internet é um espaço público, e como tal pode conter o que o autor bem entender, sejam salmos, textos sobre a terra natal ou reflexões do que quer que seja. lamento que haja este tipo de pensamento retardado... e já agora esconderes-te como anónimo é ser infantil...

     
  • At 1:36 da manhã, Blogger Armando said…

    Os meus pais são de Galafura. Eu não nasci lá. Apenas fui baptizado nesta terra maravilhosa. Estive 6 anos sem lá ir, regressei o ano passado... Não imaginam a emoção... Jurei a mim mesmo nunca estar tanto tempo longe da terra dos meus antepassados que considero minha também. Cumprimentos a todos e - Viva Galafura!

     

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